Os Vampiros de Nova York e o desaparecimento de Susan Walsh

Zona 33
No folclore eslavônico medirional, vampiro é o espírito de uma pessoa morta, ou um corpo revivido por um espírito mau, o qual sairia de seu túmulo à noite para sugar sangue humano. 95% de todas as culturas mundias possuem histórias sobre vampiros. Seria apenas mera coincidência ou algo mais? Lendas sobre vampiros são realmente muito antigas, algumas datam de 125 a.C. No entanto, muito mais do que lenda ou superstição, realmente existe uma subcultura gótica de pessoas que vivem como vampiros, e indo mais além, há quem afirme que exista uma sociedade com vampiros reais, muito antiga e agindo pelas sombras... Enfim, como o título sugere, o que teriam vampiros a ver com o desaparecimento de uma mulher chamada Susan Walsh?

Em 16 de julho de 1996, Susan Walsh, de 36 anos, deixou seu apartamento em Nutley, Nova Jersey-EUA, para usar um telefone público na calçada em frente — um hábito de rotina desde que ela não possuía um telefone em casa. Ela deixou o seu filho, David, com seu ex-marido. Ela disse que precisava fazer algumas ligações e ir à um lugar. Entretando, depois disso ela nunca mais foi vista. A polícia acredita que Susan Walsh simplesmente escolheu desaparecer, outros temem que sua vida tenha chegado ao fim. Mas, por que uma aspirante à jornalista que aparentemente amava seu filho iria fugir e deixar tudo para trás?


20 anos depois, o desaparecimento de Susan Walsh continua a ser um dos mais intrigantes casos de pessoas desaparecidas na área da cidade de Nova York. Trabalhando como uma dançarina exótica desde os seus 20 anos e sonhando em se tornar uma escritora por tanto tempo, Susan estava usando seus contatos e experiência no submundo de Nova York para entrar no mundo do jornalismo investigativo.
Nas semanas anteriores ao desaparecimento, Susan estava trabalhando em um artigo para o Village Voice, sobre a crescente popularidade do submundo da comunidade de vampiros de Manhattan. Na mesma época, Susan disse a amigos próximos que temia um stalker que estava atrás dela, mas não relatou qualquer informação adicional, por medo de pôr eles em perigo.


A vida de Susan

Susan cresceu em um lar problemático, teve uma infância amarga. Mas, contudo, Susan ainda sonhava em ser poetisa. Ao completar 20 anos, ela estava muito distante de seu sonho. Em vez disso, ela era usuária de drogas, a fim de conseguir suportar a sua vida de stripper. Porém, ela ainda tinha esperanças na vida, e utilizava as gorjetas que ganhava para pagar a sua faculdade. Quando se graduou, em 1988, trocou sua vida como stripper por uma carreira de escritora.
De acordo com a amiga de Susan, Melissa Hines, ela esteve sóbria durante os quatro anos que permaneceu casada e foi uma mãe devotada.
Susan amava muito o seu filho e estava sempre ao seu lado. As duas coisas que significavam muito a ela eram o seu filho e sua carreira como jornalista.
Por fim, ela e seu marido se separaram. Seus trabalhos como escritora não pagavam o suficiente para sustentar o seu filho. De acordo com o jornalista James Rigdeway, ela voltou a ser stripper, pois não conseguiu resistir ao dinheiro fácil:
Susan diria que ela era como uma viciada e que todo o negócio do sexo era um tipo de vício e ela estava tentando quebrar esse vício. Ela falaria incansavelmente em um nível intelectual contra a dança, e às vezes com grande articulação, sabe. Isso te faria sentir que isso era algo muito profundo. E então ela estava lá, dançando.
Então, Susan conseguiu um estágio em um jornal alternativo de Nova York, "The Village Voice". Por seu passado como stripper, ela ficou responsável em pesquisar sobre a indústria do sexo. Ela logo encontrou uma história quente: Mafiosos russos em Nova Jersey estavam supostamente forçando mulheres imigrantes jovens a trabalharem como escravas em clubes de strip. James Rudgeway descreveu Susan como obstinada com seu trabalho:
Susan era uma pesquisadora fantástica. Ela realmente se dedicava a isso. Ela passava hora após hora, dia após dia, e então se meteu nessa situação na qual pessoas eram supostamente partes de um crime organizado. Os gerentes desses clubes começaram a ficar do lado das mulheres russas e a ficar contra os gerentes russos, era como se duas máfias se encontrassem. E Susan, claro, adorou isso e ficou bem no meio de tudo.
Susan ganhou elogios por seu artigo sobre os mafiosos russos, mas também recebeu sérias ameaças quando foi publicado. Entretanto, isso não a impediu de investigar outro lado desse mundo obscuro. Dessa vez eram as boates de vampiros. Esses clubes atraíam jovens que se denominavam “góticos”. Eles eram conhecidos por suas roupas pretas extravagantes, mas, alguns levavam isso um pouco mais a fundo, chegando a beber sangue de verdade.


Susan ficou totalmente atraída pelo mundo dos vampiros, frequentava boates underground e conversava com vampiros seguidores do black veil, —o código de conduta do vampiro que consiste em 13 regras que devem ser seguidas— tentando ir o mais fundo possível. Ela conheceu um sujeito chamado Christian e ele dizia ser um vampiro real, o qual a seduziu, fazendo-a se apaixonar.
Segundo Susan, ele realmente provou a ela que era um vampiro de verdade e ela escreveu sobre isso em seu artigo, relatou sobre a existência de vampiros de verdade vivendo no submundo, se ocultando da sociedade.
Foi então que veio a frustração da jornalista quando seus editores falaram que não iriam publicar aquilo, pois ela parecia realmente acreditar na existência de vampiros, e que aquilo era um absurdo. De acordo com James Ridgeway, Susan escreveu um artigo detalhado, mas pareceu perder o seu objetivo jornalístico.
Ela acreditava em muitas coisas que esse pessoal dizia a ela, sobre como haviam assassinatos secretos e assim por diante, no mundo vampírico. Ela, uma vez, me disse: ‘Eu encontrei esses dois caras e eles tinham essa van assustadora e eu não sabia se deveria entrar nela ou não.’ Então, eu disse: ‘Olha, não entre nessa van, porque eles podem não ser vampiros, sabe.'
Susan, então, voltou a dançar em tempo integral. Em um documentário feito por um amigo, Susan falava sobre o papel que a vida de stripper tinha tomado em sua vida:
Isso me suga. Estive nisso por quatro anos e meio, quatro longos anos, eu diria, e estou presa dentro desse dilema porque me sinto sugada. E eu estou machucada, admito isso, muito machucada por causa desse negócio. Eu estou sofrendo muito.
O diretor Jill Morley esteva com Susan dois dias antes de ela desaparecer:
Ela disse que estava com bronquite, enfisema e úlcera. Ela disse que esteve no hospital duas vezes naquela semana. Falou sobre suas mudanças de humor, sobre estar depressiva e empurrando a vida com a barriga.
48 horas depois da última vez que Jill a viu, Susan desapareceu. Um número de pessoas, incluindo uma velha amiga, Melissa Hines, disseram à polícia que viram Susan após ela desaparecer entrando em uma limusine.
Eu tenho certeza que era ela. Tenho certeza que vi Susan um mês depois de seu desaparecimento.
O detetive Rhein seguiu a informação de Melissa:
Nós rastreamos o número da placa que Melissa Hines nos deu, conversamos com o proprietário e usuário deste veículo. Ele esteve com uma mulher que bate com a descrição de Susan. Ele viu fotos e teve certeza de que era ela. Mas, novamente, não tivemos nenhuma identificação positiva de Susan Walsh naquele tempo.
Melissa acredita que se Susan estiver viva, ela deve estar se escondendo deliberadamente:
Susan definitivamente acreditou estar em perigo. Ela temia por sua vida e acho que ela estava com medo que a vida de seu filho também estivesse em perigo. Ela, na verdade, me disse que não faria isso no próximo ano. Ela sentia que estaria morta.
Melissa Hines acredita que alguém estava seguindo Susan:
De primeira, acreditei que fosse apenas a imaginação dela, mas vi com os meus próprios olhos. Eu vi carros seguindo ela, nós duas, pessoas seguindo o meu carro, ela estava no meu carro. Então definitivamente alguém a estava perseguindo.


Nas duas décadas desde o seu desaparecimento, muitas teorias sobre o que aconteceu com Susan Walsh continuam a aparecer, mas uma delas ocupa o número um no ranking: Será que Susan chegou muito perto do culto vampírico de Nova York, e pagou caro? — com o próprio sangue?

Os Suspeitos

Como é de rotina, os investigadores inicialmente questionaram se Susan Walsh não havia simplesmente desaparecido por vontade prórpria. Se assim fosse, havia pouco para eles fazerem além da tentativa de localizá-la e fazer contato. No entanto, as entrevistas com amigos e familiares rapidamente mandaram essa teoria por água abaixo; Susan era uma mãe coruja para seu único filho e altamente protetora. Deixar para trás a pessoa mais importante em sua vida parecia fora de contexto.

O próximo passo dos detetives foi determinar que circunstâncias poderiam ter levado ao desaparecimento, e, naturalmente, o primeiro foco foi sobre aqueles mais próximos de Susan. Na época em que ela desapareceu, Susan estava morando com um amigo dela, entretanto, seu ex-marido e pai de seu filho, morava no apartamento abaixo deles. Estranhamente, a página do mês de julho tinha sido arrancada do planejador de Susan, intensificando o foco no companheiro de apartamento e no ex-marido. No entanto, ambos os homens foram finalmente inocentados de suspeitas pela polícia.

Piercing the Darkness

Quase imediatamente após o desaparecimento de Susan Walsh, a autora e especialista em vampirismo real, Katherine Ramsland, decidiu mergulhar no submundo dos vampiros de Nova York em uma tentativa de descobrir o que realmente aconteceu com a mulher desaparecida. Seu livro sobre o assunto, Piercing the Darkness, publicado em 1998, fornece uma análise do submundo dos vampiros como um todo — em termos, cumprindo o que Susan Walsh tinha a intenção de fazer antes de seu desaparecimento.

Mesmo na década de 90, Katherine foi capaz de identificar a internet como um recurso emergente para subculturas como a comunidade dos vampiros. Ela observa a web como sendo um nexo para o planejamento de reuniões de vampiros no mundo real, bem como proporcionando o cenário para saciar as fantasias dos vampiros anônimos. Várias das pessoas —contatos que ela encontrou e entrevistou, inicialmente estenderam a mão através da Internet, embora nenhum destes indivíduos tenham fornecido qualquer ajuda para descobrir o destino de Susan Walsh.

Segundo Katherine, a comunidade underground de vampiros de Nova York consiste quase que exclusivamente de homens e mulheres benignos, vivendo uma fantasia macabra mas inofensiva. Talvez eles ocasionalmente se envolvam em uma partilha consensual de sangue e vários outros fetiches — mas nada mais além. É a opinião dela que seja improvável que exista uma relação entre a subcultura vampírica de Nova York, a qual Susan estava explorando, e o desaparecimento da aspirante à jornalista.

No entanto Katherine Ramsland não ignora o fato de que a comunidade de vampiros pareça se beneficiar com a percepção do público de serem capazes de atos sinistros e violentos. Ela destaca vários crimes terríveis na história recente cometidos por indivíduos que afirmam ser vampiros ou que agem como eles. Um exemplo desses que publiquei à pouco é o caso do serial killer brasileiro, o Vampiro de Niterói.


Apesar de inicialmente se acreditar que Susan tenha sido incapaz de deixar seu amado filho para trás, os investigadores finalmente decidiram que o cenário mais provável era o de que ela desapareceu por conta própria. Se ela está realmente viva, seus amigos e parentes ou não sabem ou não têm interesse em compartilhar essas informações com o público e a polícia. Como duas décadas se passaram desde o dia que Susan Walsh desapareceu, é cada vez mais improvável que a verdade veja a luz do dia.



Fonte(s)  theoccultmuseum, unsolved
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Est. 2013

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