A Verdadeira história por trás de o Código da Vinci

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Existem duas escolas de pensamento sobre o mistério de Rennes-le-Château. Uma delas é que a cidade esconde o maior segredo da história, a outra é que se trata do maior hoax do século XX.
De qualquer forma, é uma história que capturou a imaginação popular como poucas outras nos últimos anos, gerando livros infindáveis, programas de TV e o romance de grande sucesso posteriormente adaptado nas telonas por Hollywood, o Código Da Vinci.

Como mito, fato ou mistura de ambos, possui todos os ingredientes clássicos das melhores histórias de aventura; pergaminhos perdidos, sociedades secretas, códigos esotéricos, tesouros escondidos e a melhor bomba — uma verdade proibida tão chocante que, se revelada, abalaria as estruturas do Cristianismo.

Por causa dessa confusão de fato/ficção, é comum as pessoas se perguntaram se a história de Código da Vinci é verdadeira e coisas do tipo. Sorte sua que existe o Zona 33, e o que vamos fazer agora é embarcar em uma jornada histórica e conhecer mais sobre o segredo de Rennes-le-Château.


Nossa história começa na França rural na década de 1880, em um pacato vilarejo no topo de uma colina perto de Carcassonne chamado Rennes-le-Château. O Vilarejo era o lar de uma igreja antiga, dedicada a Maria Madalena, que havia caído em condições precárias após anos de negligência.

O sacerdote local, Bérenger Saunière, elaborou planos para renovar a igreja. Enquanto o próprio Saunière era de meios humildes, ele conseguiu obter fundos suficientes para iniciar o trabalho, que teve início em 1887.

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François Bérenger Saunière, domínio público.
Foi durante essas reformas que Saunière faria uma descoberta que não só mudaria sua própria sorte pessoal, como também lançaria sobre Rennes-le-Château infindáveis teorias da conspiração e lendas que perduram até hoje.

A natureza exata do que ele descobriu varia entre as declarações, mas a versão mais popular é que Saunière encontrou alguns pergaminhos escondidos dentro de um pilar oco no altar da igreja.
Segundo essa história, alguns dos pergaminhos detalhavam genealogias reais que remontavam séculos antes, enquanto outros continham escritos enigmáticos que pareciam ocultar algum tipo de mensagem oculta.
Pouco depois de sua descoberta, Saunière começou a agir de maneira estranha. Ele escavava grandes áreas em sua igreja; e em várias ocasiões, ele e sua criada, Marie Dénarnaud, foram vistos cavando no cemitério durante a noite. O conselho municipal ainda apresentou uma queixa oficial sobre o padre perturbando os túmulos.

Em uma anotação em seu diário que datava por volta dessa época, Saunière faz uma referência enigmática ao que ele encontrou, usando apenas uma palavra — "segredo".

Saunière usou os pergaminhos para encontrar algum tipo de tesouro? Se assim for, isso ajudaria a explicar a surpreendente mudança financeira que o sacerdote desfrutou ao longo dos próximos anos. De repente, o Saunière formalmente empobrecido parecia ter acesso a uma riqueza quase ilimitada.

Ao longo da década de 1890, ele gastou mais de 650 mil francos em uma série pródiga de renovações e novos edifícios em Rennes-le-Château. Para um homem que só ganhava 900 francos por ano como sacerdote, as somas eram surpreendentes.

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Saunière mandou instalar esta estátua demoníaca perto da entrada da igreja. Créditos: Erwan Corre/wiki
Algumas das coisas que Saunière mandou construir com sua nova riqueza eram decididamente estranhas, como a bizarra torre neogótica que duplicou assim como o conjunto de estátuas sinistras com as quais ele decorou a igreja.
Uma dessas estátuas, de um demônio de aparência aterrorizante, incongruentemente guarda a entrada da igreja. Alguns até especularam que esta estátua é na verdade a representação do demônio Asmodeus, associado à lenda como o guardião do tesouro de Salomão — seria uma referência ao 'tesouro' de Saunière?
Entretanto, as gastanças desenfreadas de Saunière não passaram despercebidas pelas autoridades da Igreja. O abade foi suspenso por acusações de "tráfico de missas," uma forma comum de fraude eclesiástica do século XIX no qual os sacerdotes vendiam missas inexistentes — com o salário da época os sacerdotes tinha que dar seus 'pulos'.
Se Saunière era realmente culpado disso ou não, a acusação certamente não poderia explicar a grande escala de seus gastos. De qualquer forma, o abade levou o segredo para o túmulo; ele morreu em 1917 sem nunca revelar a fonte de sua riqueza inexplicável (pelo menos não ao público, como veremos à frente).

Mais de 50 anos depois, o que se tornou uma lenda local obscura e há muito esquecida foi revivida pelo autor francês Gérard de Sède em seu livro 'O Tesouro Maldito' em 1967.
O livro de De Sède é a base para todos os mitos modernos de Rennes-le-Château. Nele, ele toma o esboço básico da história de Saunière encontrar um tesouro, mas adiciona alguns novos elementos potentes e sensacionais.
Os pergaminhos que Saunière encontrou eram, na verdade, a prova de que a linhagem real merovíngia não morreu com o rei Dagoberto II, que foi assassinado em 679, mas que sobrviveu em segredo até os dias atuais.

Sigeberto IV, o filho de Dagoberto, que foi pensado ter morrido na infância, de fato, sobreviveu e foi levado para Rennes-le-Château, e ele e seus descendentes foram enterrados lá.


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Saunière encontrou evidências de que a dinastia merovíngia não havia morrido? (Clóvis I, fundador da França)
De Sède também apresentou o misterioso Priorado de Sião, uma ordem secreta dedicada à proteção da também secreta linhagem merovíngia e que um dia traria seus descendentes de volta ao trono da França.

"O Tesouro Maldito" foi co-escrito por uma figura enigmática chamada Pierre Plantard, que afirmou não ser outro senão o descendente vivo de Dagoberto II e legítimo herdeiro do trono da França.

O livro de De Sède foi um sucesso modesto, mas permaneceu desconhecido fora da França até que um escritor da televisão britânica descobrisse uma cópia d'O Tesouro Maldito em uma livraria francesa. O que aconteceu depois catapultou a história para a fama internacional da maneira mais sensacional.
Henry Lincoln (pseudônimo de Henry Soskin), mais conhecido como um roteirista no show de ficção científica da BBC, Doctor Who, pegou uma cópia de O Tesouro Maldito durante um feriado em Cévennes, em 1969. Ele foi imediatamente absorvido por este emocionante conto de um abade empobrecido que tropeçou em um grande tesouro.

Para Dagoberto II, Rei, e para Sião é esse tesouro e ele está aqui morto

Lincoln se debruçou sobre cada detalhe e logo, algo muito óbvio saltou para ele. O livro continha reproduções dos pergaminhos que Saunière havia supostamente encontrado. Em um deles, um texto claramente descrevia uma mensagem - "Para Dagoberto II, Rei e para Sião é esse tesouro e ele está aqui morto".
Certo de que havia descoberto algo mais do que uma mera lenda coloquial, Lincoln começou a produzir um documentário de TV sobre a extraordinária história de Rennes-le-Château.

Em 1972, a BBC transmitiu o episódio histórico de Henry Lincoln da vertente histórica Timewatch chamado 'O Tesouro perdido de Jerusalém'. Esta foi a primeira vez fora da França que esta incrível história foi contada, e isso causou uma grande reviravolta.

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Henry Lincoln encontrou um código secreto neste pergaminho reproduzido no livro de De Sède
Nos próximos 7 anos, Lincoln produziu mais dois documentários sobre o mesmo assunto, eventualmente levando ao livro que, talvez mais do que nada, cimentaria a lenda de Rennes-le-Château na mente pública.
Juntando-se aos historiadores Michael Baigent e Richard Leigh, Lincoln publicou O Santo Graal e a Linhagem Sagrada em 1982, um bestseller internacional cuja narrativa fascinante agarrou a imaginação do mundo como poucos antes ou depois.

A hipótese do trio era absolutamente surpreendente em sua importação. De acordo com O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, o tesouro de Saunière não era algo simples, mas um grande segredo, um segredo tão vasto que tinha que ser protegido por todos os meios.
A pesquisa dos autores os levou a acreditar que o misterioso Priorado de Sião não era apenas formado para proteger a linhagem merovíngia, mas era responsável por fundar os próprios Cavaleiros Templários — Os guardiões do Santo Graal.

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O Santo Graal e a Linhagem Sagrada introduziu os Cavaleiros Templários na história
De acordo com Lincoln, Leigh e Baigent, o lendário 'San Graal', que significa Santo Graal, não era um cálice, mas um 'Sang Raal', que significa Sangue Real.
Em outras palavras, o padre de Rennes-le-Château não havia tropeçado em apenas uma linhagem merovíngia perdida, ele havia tropeçado no maior tabu do Cristianismo — Jesus era um homem comum que se casou com Maria Madalena e gerou filhos. Uma linhagem Real.

De acordo com os autores, os descendentes de Jesus emigraram para Rennes-le-Château, tiveram filhos com nobres locais e formaram a dinastia real merovíngia no século V d.C.
Eles até encontraram evidências de onde alguns desses descendentes foram enterrados, codificados em uma pintura do século XVII do artista Nicolas Poussin, chamado Pastores da Arcadia.

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Estaria oculto no quadro a localização das sepulturas de descendentes de Cristo?
Fazendo uma pequena pausa na história principal, você pode estar se perguntando: Por que tanta atenção com os Merovíngios e por que eles fariam parte da suposta linhagem sanguínea de Cristo?

Os merovíngios foram uma dinastia franca saliana que governou os francos numa região correspondente, grosso modo, à antiga Gália da metade do século V à metade do século VIII. Seus governantes se envolveram com frequência em guerras civis entre os ramos da família. No último século de domínio merovíngio, a dinastia foi progressivamente empurrada para uma função meramente cerimonial. O domínio merovíngio foi encerrado por um golpe de Estado em 751 quando Pepino o Breve formalmente depôs Childerico III, dando início à dinastia carolíngia.

Eles eram citados às vezes por seus contemporâneos como os "reis de cabelos longos" (em latim reges criniti), por não cortarem simbolicamente os cabelos (tradicionalmente, os líderes tribais dos francos exibiam seus longos cabelos como distinção dos cabelos curtos dos romanos e do clero). O termo "merovíngio" deriva do latim medieval Merovingi ou Merohingi ("filhos de Meroveu"). O que nos leva à figura-chave nessa história!

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Meroveu ( 411 d.C. — 458 d.C.) foi o fundador lendário da dinastia merovíngia de reis francos. Ele foi rei dos francos sálios nos anos depois de 450. Sobre ele não existem registros contemporâneos e há pouca informação nas histórias posteriores dos francos. Gregório de Tours registra que possivelmente ele tenha sido filho de Clódio e Basina. Ele supostamente liderou os francos na Batalha de Chalons (ou Batalha dos Campos Cataláunicos) em 451.

De acordo com uma lenda, Meroveu foi concebido quando a esposa de Clódio encontrou um Quinotauro, um monstro marítimo que podia mudar de forma enquanto nadava. Apesar de nunca declarar, ela foi engravidada por isso. Essa lenda foi relatada pelo cronista Fredegar no século VII, mas deve ter sido conhecida antes.

Agora aqui vai a resposta para a importância dos Merovíngios nessa conspiração:

A hipótese levantada principalmente no supracitado livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada é de que a lenda do Merovíngio "descendido de um peixe" era na verdade uma referência ao conceito de que a linhagem merovíngia havia se unido, via casamentos, com a linhagem sanguínea direta dos descendentes de Jesus Cristo, porque o símbolo dos primeiros cristãos também havia sido um peixe. Ou seja, Meroveu, seria um descendente de Cristo.

Revelação chocante feita, agora voltemos à história:


Foi também em O Santo Graal e a Linhagem Sagrada que outra descoberta crucial foi feita. Os autores foram dirigidos a um conjunto de documentos na Bibliothèque Nationale de France chamados 'Dossiers Secrets d'Henri Lobineau'.
No interior, haviam evidências claras de que O Priorado de Sião, ao longo dos séculos foi liderado por luminares como Leonardo Da Vinci, Issac Newton, Victor Hugo, Claude Debussy e Jean Cocteau.
Assim como citado no filme O Código da Vinci, eles teriam ocupado o posto de Grão-Mestre na sociedade secreta.

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Os membros do Priorado de Sião incluíam figuras tão notáveis como Isaac Newton (foto acima) e Leonardo Da Vinci
Não é surpreendente que o livro produziria um impacto enorme e duradouro. Ele contou uma história emocionante muito melhor do que a mera ficção — um fato confirmado pelo melhor bestseller de Dan Brown, o Código Da Vinci, que emprestou a empreitada de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada.
Mas nisso, a queda final da lenda de Rennes-le-Château foi semeada. As histórias começaram a desconfortavelmente se parecerem com ficção. Na verdade, tudo parecia bom demais para ser verdade.

Um humilde pároco realmente descobriu o maior segredo do cristianismo?


Evidências à favor da história

1. A Riqueza de Saunière

Bérenger Saunière manteve registros meticulosos de suas transações financeiras oficiais durante seu tempo como abade de Rennes-le-Château. As grandes quantias que ele detalha em seus livros são surpreendentes para um homem de tão simples e humildes meios.
Suas contas mostram que ele gastou 229,351 francos em terras e obras de construção, e uma impressionante soma de 465,000 francos em consumo ao longo de um período de 10 anos. Estes valores se traduzem em milhões de Euros nos valores atuais.

Apenas sua casa que foi construída especificamente, a Villa Bethania, custava 90 mil francos, quase tanto quanto o próximo Château de Hautefort, uma casa esplêndida com um lindo jardim à la française.

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Saunière (à direita na foto) construiu a prodigiosa Villa Bethânia com sua nova riqueza
E este foi apenas o seu gasto declarado, Saunière era conhecido por ter pago por estruturas em torno do vilarejo que não aparecem em suas contas. O padre também nunca registrou nenhuma de suas consideráveis ​​despesas de viagem e pessoais.
Também não está documentada a sua vasta e generosa coleção de valiosos livros, revistas, cartões postais e móveis antigos, que valem dezenas de milhares de Euros.

A fonte da riqueza de Saunière é fundamental para o mistério de Rennes-le-Château, e praticamente todas as muitas teorias do vilarejo começam com Saunière. Na verdade, é um mistério intrigante, onde poderia um humilde sacerdote da aldeia conseguir uma riqueza tão grande?
Teria descoberto tesouros ou documentos que provassem que descendentes de Cristo viviam no vilarejo? A origem de sua riqueza seria a Igreja Católica tentando silenciá-lo?

Uma sugestão mais prosaica é que o dinheiro de Saunière veio da simonia, uma fraude eclesiástica comumente conhecida como "tráfico de missas", onde um padre venderia missas em uma escala muito além do que ele poderia realmente realizar.
Como muitos outros sacerdotes, Saunière certamente era culpado dessa prática. Ele foi levado à julgamento pelas autoridades da Igreja por causa disso e suspenso em várias ocasiões. Mas a escala de seus gastos parecia ser muito maior do que poderia ser credivelmente explicado apenas pelo tráfico de missas sozinho.
Na década de 1890, um padre/abade normalmente cobrava cerca de 1 franco por uma missa, por isso Saunière teria que ter prometido realizar várias centenas de milhares de missas e recebido por elas se esta fosse realmente a fonte de suas finanças.

No entanto, o padre manteve registros detalhados sobre seu tráfico de missas. Ele realmente prometeu conduzir 110 mil missas e recebeu cerca de 100 mil francos em pagamento. Isso, então, representa apenas uma pequena fração dos montantes que é de conhecimento ele ter gasto.

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A Torre de Madalena, uma das obras realizadas com a misteriosa riqueza de Saunière. Créditos: panoramio
Saunière teve algumas outras fontes de renda juntamente com o tráfico de missas. Presentes, doações, coleções de igrejas e negociação de mobiliário, todos incrementaram as suas finanças, mas apenas representam a menor fração de suas prodigiosas despesas.
A conclusão de que Saunière realmente encontrou algum tipo de tesouro parece inevitável. Mas as inúmeras teorias sobre Rennes-le-Château variam radicalmente sobre o que esse tesouro realmente era.
No final mais conservador, existem algumas evidências que sugerem que Saunière encontrou algo na igreja, talvez mais tarde nas restaurações.

Uma de suas irmãs adotivas, no final de sua vida na década de 1960, lembrou que Saunière encontrou um pote cheio de moedas de ouro e outras testemunhas contemporâneas se lembraram da descoberta de uma cripta sob a igreja durante as restaurações. Saunière ainda anota a descoberta em seu diário, escrevendo "Descoberta de um túmulo. Que túmulo?"

Que uma cripta, cuja localização já está perdida, existiu sob a igreja, está bem documentado, aparentemente uma cripta da família regional aristocrata d'Hautpoul. Henri de Hautpoul em seu testamento de 1695, menciona a cripta, escrevendo: "Depois da minha morte, meu corpo deve ser colocado para descansar na igreja paroquial de Rennes no túmulo dos meus antepassados".

Depois de minha morte, meu corpo deve ser colocado para descansar na igreja paroquial de Rennes no túmulo dos meus antepassados

Isto é particularmente interessante porque existem registros de que um tesouro foi associado à família d'Hautpoul. Em 1645, um pastor encontrou um saco de moedas de ouro nas terras de Blaise I d'Hautpoul, que abrange Rennes-le-Château.

Saunière descobriu uma cripta perdida de uma família nobre, cheia de suas riquezas? Ou foi algo mais esotérico?

Embora a história de Saunière encontrando 4 pergaminhos não tenha surgido até a década de 1950, de acordo com Antoine Captier, o neto do tocador de sinos de Saunière, algum tipo de documento realmente foi encontrado.
Enquanto ajudava com as reformas, o avô de Captier descobriu um pequeno frasco de vidro escondido dentro de um antigo balaústre de madeira. Dentro havia um pedaço de pergaminho.

O que estava escrito no pergaminho continua a ser um mistério, mas pouco depois da descoberta, as escavações noturnas de Saunière começaram, bem como a sua prodigiosa riqueza.


2. Sangue sagrado

O livro de 1982, O Santo Graal e a Linhagm Sagrada postulou a teoria de que Bérenger Saunière descobriu documentos que provavam que os merovíngios do século VI eram realmente descendentes diretos do Jesus histórico e sua esposa Maria Madalena.

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Seria Maria Madalena a esposa de Jesus?
Para que isso acontecesse, seria necessário primeiramente que Jesus tivesse se casado, uma ideia rejeitada pela maioria dos estudiosos mainstream devido à falta de referências explícitas a uma esposa nos evangelhos.
No entanto, nada nos evangelhos existentes realmente descarta a possibilidade, e a falta de referências específicas a uma esposa poderia ser explicada pela campanha sistemática do início do estabelecimento do Cristianismo para rebaixar o papel das mulheres na Igreja.

Algumas pistas tentadoras sobreviveram. Em Mateus 26:49, Jesus é descrito como um rabino. Os rabinos, então, como agora, eram obrigados a se casar. Se Jesus fosse realmente um rabino e não fosse casado, certamente teria sido notado e mencionado, mas não existe tal menção da discrepância na Bíblia.
Maria Madalena desempenha um papel crítico na vida de Jesus nos evangelhos, cuidando de seu corpo após a crucificação. Mas se Maria não fosse a esposa de Jesus, teria sido considerado altamente inapropriado para ela realizar um ato tão íntimo como lavar e ungir seu corpo nu como descrito no Evangelho de Marcos.
Vários evangelhos gnósticos também sugerem que Jesus teve uma esposa e um papiro Copta recém-recuperado do século VI descreve Jesus se referindo a Maria como "minha esposa" e afirmando que "eu moro com ela".

Estabelecer a possibilidade de que Jesus tenha se casado é uma coisa, mas a evidência de que ele teve filhos e que se mudaram para a França continua a ser elusiva na melhor das hipóteses.
Esse aspecto crucial da lenda de Rennes-le-Château depende quase que inteiramente do misterioso Priorado de Sião, uma ordem secreta que, segundo A Linhagem Sagrada, foi fundada em 1099 para proteger o segredo da linhagem de Cristo.

Mas e se o Priorado não fosse uma ordem antiga, mas uma criação moderna de um charlatão francês imaginativo?


Evidências contra

2. O Fantasista

Em termos de fato histórico documentado, uma coisa é clara sobre o Priorado de Sião. Ele não foi fundado em 1099, mas em 1956. Naquele ano, Pierre Plantard registrou a existência da sociedade com as autoridades francesas.

Este é o mesmo Pierre Plantard, que mais tarde escreveu O Tesouro Maldito com Gérard de Sède, que buscava caracterizar o Priorado de Sião como uma antiga sociedade secreta dedicada à preservação da linhagem sanguínea Merovíngia. Mas em 1956, as atividades do grupo eram um pouco mais prosaicas.

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Pierre Plantard
Funcionando a partir do apartamento de Plantard, o Priorado de Sião produziu um jornal chamado Circuit, que se preocupava em grande parte com assuntos locais, como habitação a preços acessíveis e desenvolvimento imobiliário. Ele se dissolveu menos de um ano depois e continuou a existir apenas em nome.

Pierre Plantard nasceu em 1920, um descendente não de reis, mas de um coletor de nozes do século XVI. Um fervoroso monarquista e antisemita, Plantard teve grandes ideias desde uma idade precoce. Em 1940, ele ofereceu ajudar o regime colaboracionista de Vichy a lutar contra uma "terrível conspiração judaica e maçônica", alegando ter 100 homens à sua disposição.
Os serviços de inteligência franceses diagnosticaram Plantard como fantasista, escrevendo: "Plantard parecia ser um desses estranhos jovens pretensiosos que criaram e dirigiram grupos mais ou menos fictícios em um esforço para se dar um sentimento de importância..."


Plantard parecia ser um desses estranhos jovens pretensiosos que criavam e dirigiam grupos mais ou menos fictícios em um esforço para se dar uma sensação de importância...


Após a guerra, Plantard continuaria a inventar grupos e sociedades fantásticas, incluindo o breve Priorado de Sião, em 1956. Após este último esforço, ele passaria a próxima década inventando uma história inteiramente ficcional para sua organização adormecida.
O objetivo de Plantard era retratar-se como descendente do rei merovíngio do século VII, Dagoberto II e, fantasticamente, o "Grande Monarca" como profetizado por Nostradamus.

Em meados da década de 50, Plantard soube da história do abade de Rennes-le-Château, Bérenger Saunière, e do grande tesouro que supostamente encontrou na igreja local. Plantard gostou da história e decidiu integrá-la em sua crescente mitologia do Priorado de Sião.
Agora, em vez de um tesouro, Saunière na verdade havia encontrado pergaminhos que apoiavam as afirmações de Plantard de ser um descendente dos merovíngios, incluindo uma linhagem real fabricada e códigos ocultos que se referiam a uma misteriosa ordem secreta chamada Priorado de Sião.

Juntando-se a um excêntrico aristocrata e surrealista chamado Phillipe de Cherisey, a dupla fraudou os pergaminhos, juntamente com uma lista fabricada de grandes mestres do priorado, e depositou esses "Dossiês Secretos" na Bibliothèque Nationale em Paris.

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Plantard juntou-se ao autor Gérard de Sède para divulgar sua história
Plantard juntou-se com o escritor Gérard de Sède e toda a fantasia foi publicada como O Tesouro Maldito em 1967. Mas De Sède e Plantard rapidamente entraram em uma disputa sobre royalties, e não demorou muito para que seu hoax fosse desmascarado.
O jornalista investigativo francês Jean-Luc Chaumeil descobriu centenas de cartas entre De Sède, Cherisey e Plantard, nas quais detalharam cada passo de seu engodo e discutiram maneiras de combater as críticas e manter a farsa.
Todos os três homens acabariam por admitir que haviam fabricado tudo. Mas era muito tarde, a fraude relativamente trivial do trio já havia adquirido uma vida própria.

Apesar de seu status na França como uma farsa admitida, três escritores estavam prestes a se apropriarem da fantasia autoengrandecente de Plantard e levá-la muito além de tudo o que ele já havia planejado.

2. A farsa sagrada

Aparentemente inconscientes de que o 'Dossier Secrets' era uma invenção de ficção, Henry Lincoln, Michael Leigh e Richard Baigent usaram os documentos para tecer uma vasta teoria da conspiração histórica.
De acordo com os autores, a ordem do Priorado de Sião, na verdade, um grupo local de especulação habitacional fundado por Plantard em 1956, era uma antiga ordem que fundou os Cavaleiros Templários para proteger e preservar a linhagem de Cristo.

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Os autores de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada pareciam não saber que os Dossiers Secrets eram um hoax
A pesquisa do trio baseava-se quase que inteiramente nas fabricações de Plantard, mas com vários passos extraordinários de lógica conectando toda uma série de novos elementos completamente não relacionados.
O que é interessante sobre O Santo Graal e a Linhagem Sagrada é que na verdade não consiste em evidências como os historiadores as entendem. Os autores apoiaram o método de "síntese" essencialmente sobre especulações selvagens, e usaram isso adicionando ingredientes como Leonardo Da Vinci, os Templários, os Cátaros, os Maçons e a União Européia à uma bebida já embriagante.

A maioria das conexões que os escritores fazem no livro são consideradas pelos acadêmicos convencionais como pseudo-história. Embora, desde a base de sua hipótese, se baseie nas fantasias de um charlatão francês, as afirmações do autor já estavam seriamente prejudicadas.
Foi amplamente comentado no momento do lançamento do livro em 1982 que, embora fosse uma história duvidosa, ainda era uma ótima história. Isso é, sem dúvidas, verdadeiro, mas o apelo duradouro desta história é que ainda é apresentada como um fato.

No Pêndulo de Foucault, a paródia brilhante de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de Umberto Eco, ele escreveu: "Acredite que há um segredo e você se sentirá um iniciado. Não custa nada. Crie uma verdade com bordas difusas: quando alguém tenta defini-la, você o repudia. Por que continuar escrevendo romances? Reescreva a história".


Apesar de todas as conspirações e histórias, o mistério da riqueza de Saunière continua...

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Vista aérea de Rennes-le-château, via youtube
É provável que Bérenger Saunière tenha feito uma ou mais descobertas durante sua vida que lhe trouxeram fortuna de uma forma ou de outra. Além disso, ele fez coisas muito estranhas durante seu longo ministério em Rennes-le-Château, sempre assistido por sua fiel criada Marie Dénarnaud, que na época dos eventos, tinha 16 anos de idade. Muitas vezes, eles foram vistos juntos escavando no cemitério durante a noite até tal ponto que o conselho municipal apresentou uma denúncia oficial por violação de túmulos e perturbação dos mortos.

A partir de 1910, Saunière foi investigado pela diocese de Carcasonne por gastos excessivos e não apresentou provas da fonte de sua fortuna. Em sua defesa, ele afirmou que o dinheiro lhe foi dado como presente. Ele também afirmou que gastou apenas 193 mil francos. Quando ele continuou se recusando a compartilhar seus livros de contas com o bispo, ele foi condenado por tráfico de missas e proibido executar suas tarefas sacerdotais.

Agora vamos à essa figura interessante (lembra que lá no começo comentei que o segredo de Saunière não foi à público mas que não significava que ninguém mais o conhecia?), Marie Dénarnaud.
Marie viveu por mais 36 anos após a morte de seu mestre. Ela prometeu a Noel Corbu, a quem ela vendeu a propriedade de Saunière em 1946, que em seu leito de morte lhe contaria um segredo que o tornaria rico e poderoso. Para a imensa frustração de Corbu, Dénarnaud teve um derrame algumas semanas antes de morrer, deixando-a incapaz de falar ou escrever. Ela levou o segredo para o túmulo.
Contemporâneos lembraram-se de ouvirem ela dizer que o povo de Rennes-le-Château caminhava sobre ouro, sem saber, e o que sobrou era suficiente para alimentar todo o vilarejo por cem anos e ainda sobraria. Quando questionada por Corbu por que ela nunca tinha se aproveitado do que quer que fosse a fonte da riqueza de Saunière, ela respondeu que nunca iria tocá-la.

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Fundo da igreja de Maria Madalena em Rennes-le-Château, via stottilien
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Interior da igreja de Rennes-le-Château. Créditos: Saenz de Castillon

Então, o que Bérenger Saunière teria encontrado?

Existem inúmeras teorias e palpites sobre o que a Saunière encontrou. Várias instâncias foram registradas em que Saunière fez referência a algo como um tesouro. Por exemplo, Antoine Beaux, o abade de Campagne-sur-Aude estava participando de um jantar na mesa de Saunière uma vez. Ele comentou: "Meu amigo, vendo você indo tão bem, alguém pensaria que encontrou um tesouro". Para isso, o anfitrião parece ter respondido: "Me l’an donat, l’ai panat, l’ai parat é bé lo teni". Era o dialeto de Saunière na Língua d'Oc. No francês moderno, significa "Ils me l’ont donné, je l’ai pris, je l’ai apprêtré; eh bien, je le tiens bien." Uma tradução para o português seria: "Eles me deram, eu peguei, eu fiz isso funcionar e vou segurá-lo".

De acordo com Antoine Captier, neto do tocador de sinos de Saunière com o mesmo nome, um frasco de vidro foi encontrado por seu avô dentro de um balaústre de madeira na década de 1880. Este pilar de suporte de madeira que carregava o antigo púlpito, havia sido retirado durante o trabalho de restauração da igreja. Quando Captier fez sua ronda pela igreja uma noite, ele notou que parte do balaústre estava solto, revelando um pequeno compartimento escondido. No interior, ele encontrou um pequeno tubo de vidro com um documento dentro. Ele o entregou à Saunière, que começou suas atividades de escavação no cemitério logo depois. Várias fontes locais confirmaram esta história como documentada no livro de Captier e no livro de Pierre Jarnac. Captier e Jarnac são geralmente considerados como os pesquisadores mais sérios. Além disso, eles estão mais próximos das fontes originais.

A história de que Saunière encontrou documentos escondidos no pilar visigótico do altar pode não ser verdadeira. A pesquisa revela que não havia espaço vazio dentro desse pilar, por isso parece improvável que isso seja verdade.

Uma última história conta que Saunière encontrou uma panela cheia de moedas de ouro e um cálice dourado durante as reformas. Isso também teria ocorrido durante o trabalho de renovação no altar da igreja. Saunière imediatamente dispensou os trabalhadores pelo resto do dia. Quando lhe perguntaram o que havia encontrado, ele respondeu que não era nada mais que uma coleção de medalhas religiosas sem valor. O abade deu um cálice dourado da época de Bigou para seu amigo Eugène Grassaud. O cálice ainda existe. Foi doado para a igreja de Rennes-le-Château pela Ordem dos Cavaleiros de Malta por volta de 1750. Aparentemente seu predecessor, Antoine Bigou, o escondeu na igreja antes de fugir para a Espanha para escapar da Revolução Francesa.

A partir dessas histórias, parece provável que Saunière tenha realmente encontrado algumas moedas, um cálice e um ou mais documentos. Os documentos o levaram a uma entrada secreta da antiga cripta da Eglise Madeleine (por exemplo, através de uma sepultura falsa de Marie de Nègre) ou a outro local onde encontrou algo que lhe trouxe riqueza.

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Sepultura do abade Saunière em Rennes-le-Château, via wikimedia
Os documentos que acredita-se que Saunière tenha encontrado são muitas vezes referidos como sendo:

1. Um pergaminho que contém a genealogia do rei Dagoberto II de 681 a 1244, quando Jean VII se casou com Elsinde de Gisors. O documento é datado de 14 de março de 1244 e carrega o selo de Blanche de Castilla, Rainha da França

2. O testamento de François-Henri d'Hautpoul, Senhor de Rennes e Bézu, com um anexo com a genealogia dos descendentes merovíngios de 1200 à 1644, onde 6 linhas de descendência estão relacionadas a São Vicente de Paulo. Este documento é datado de 23 de novembro de 1644 e é assinado por Captier, Notário em Esperaza

3. O testamento de Henri de Hautpoul, datado de 24 de abril de 1695, no qual cinco santos são invocados, os quais Saunière depois colocou estátuas em sua igreja

4. Um pergaminho de dupla face produzido por seu antecessor, o Abade Antoine Bigou, contendo de um lado um texto latino dos novos testamentos, compilado de Lucas, Mateus e Marcos. Por outro lado, contém a história de Jesus visitando Lázaro em Bethânia do Evangelho de João em latim. O pergaminho de dupla face contém uma série de mensagens, algumas das quais são fáceis e outras que são extremamente difíceis de decodificar. Em combinação com a lápide de Marie de Nègre d'Ables, (que foi enterrada por Antoine Bigou, que também fez a sua lápide), é dito levar a um tesouro. Parece que o abade Saunière sozinho ou com a ajuda de especialistas em Paris, quebrou o código e seguiu o mapa do tesouro resultante. O pergaminho de dois lados foi publicado pela primeira vez em dois lados separados (os chamados grandes e pequenos pergaminhos) por Gérard de Sède em o Tesouro Maldito de Rennes-le-Château.

Em seu livro Rennes-le-Château, le puzzle reconstitué (2007), Jarnac e o pesquisador francês Franck Daffos compõem um caso plausível de que os últimos pergaminhos mencionados realmente existiram e foram vendidos por Noel Corbu.

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Vitral da igreja de Wethersfield. Créditos: Simon Webster via Flickr

E que tipo de tesouro seria que Saunière encontrou e lhe tornou rico?

Mais uma vez, existem inúmeras possibilidades e histórias. A área em torno de Rennes-le-Château está cercada em histórias de sangue e tesouros. Os visigodos, os templários, os cátaros, clérigos e aventureiros percorreram a área em momentos diferentes da história. Não é impensável que algum dos tesouros que esses grupos trouxeram com eles ou acumularam, tenha sido deixado para trás na região. Os relatos que são sustentados com algum tipo de teoria e evidência para pelo menos diferenciá-los de pura fantasia, são mencionados aqui. Saunière teria encontrado:

  • A Cripta dos Senhores de Rennes, embaixo de sua igreja. Se as genealogias estiverem corretas, talvez até tenha sido a cripta de um ou mais da realeza merovíngia, enterrados com artefatos e tesouros, como era o costume da época;
  • um tesouro escondido em 12 lugares supostamente codificado no livro The True Celtic Language and the Cromleck of Rennes-les-Bains pelo colega de Saunière, Abbé Henri Boudet, de Rennes-le-Bains;
  • o tesouro dos Visigodos, que contém o tesouro do templo de Jerusalém, que o imperador romano Tito tirou da Terra Santa no ano 70. E Alarico I, por sua vez, tirou de Roma durante o saque de 394;
  • o tesouro dos Cátaros. Quando o último bastião cátaro de Montségur caiu, as tropas reais não encontraram nada do famoso tesouro cátaro. Pouco antes da rendição, quatro homens foram abaixados das muralhas por cordas sob a cobertura da noite. De acordo com a lenda local, eles levaram consigo o Santo Graal;
  • o tesouro dos Cavaleiros Templários. Os templários tinham presença na região. Havia um comando em Campagne-sur-Aude e um posto de observação no Monte Bézu. Os Templários não podiam ter pertences pessoais para que seus tesouros que pertencessem à ordem fossem transmitidos ao longo dos tempos sem que ninguém pudesse colocar as mãos sobre ele. Qualquer coisa pertencente aos Templários sempre inspirou um grande medo naqueles que tiveram que protegê-la ou tiveram motivos para se aproximar dela;
  • o tesouro de Blanch de Castilla. A mãe de São Luís(Luís IX), regente da França, chegou a Rédé (Rennes-le-Château) em 1249, carregada com inúmeros itens de bagagem. Supostamente, de acordo com um dos alegados pergaminhos, esta bagagem foi enterrada em uma passagem subterrânea abaixo do antigo Castelo dos Condes de Voisin e depois murada;
  • evidência de que a linhagem merovíngia permanece intacta. Alegadamente, após o assassinato de Dagoberto II e sua família em 679 por ordens de Pepino, o breve, um filho chamado Sigiberto IV sobreviveu e encontrou refúgio em Rhedae (Rennes-le-Château) para se tornar o senhor da região. Isso significaria que a linhagem merovíngia havia sobrevivido até hoje com uma reivindicação legítima ao trono francês. Em 1791, quando os predecessores de Saunière tiveram que fugir da revolução para a Espanha, isso certamente teria sido uma novidade explosiva;
  • evidência de que Jesus não morreu na cruz, mas de fato foi casado com Maria Madalena. Após a crucificação que ele sobreviveu ou durante o qual uma figura de substituição morreu, Maria Madalena foi para a França carregando sua prole que mais tarde se tornou os merovíngios ou que veio a se casar com eles. Saunière supostamente usou essa evidência para chantagear o Vaticano que o pagou por seu silêncio;
  • as tumbas de Jesus e José de Arimatéia nas proximidades de Opoul Perillos, como indicado por um modelo em miniatura dos lugares sagrados que Saunière alegadamente ordenou construir e que nunca foi concluído;
  • o túmulo de Maria Madalena e talvez até um ou mais dos seus filhos nas proximidades de Rennes-le-Château, talvez na Gruta localmente conhecida como Grotte du Fournet, Dite de la Magdeleine ou Sítio de sepultamento de Maria Madalena;
  • evidência de que a Arca da Aliança ou pelo menos seu conteúdo sobreviveu às eras e está escondida ou foi escondida abaixo da igreja de Rennes-le-Château na antiga cripta do Hautpoul-Blancheforts. Ela teria sido retirada da Notre Dame de Marceille entre 1893 e 1902 pelos seus guardiões Saunière, Boudet, Gélis e Billard. Esta hipótese é muito menos rebuscada do que parece quando você lê o livro minuciosamente construído e cuidadosamente pesquisado "O Santo Graal e a Arca da Aliança" pelo aclamado escritor holandês Klaas van Urk, no qual seu irmão e ele documentaram sua perseguição de dez anos da trilha da Arca através da história. Infelizmente, seu livro só está disponível no idioma holandês por enquanto;
  • duas genealogias de 1244 e 1644 que foram compradas pelo Vaticano, após o que eles continuaram a dar-lhe grandes quantidades de dinheiro para continuar sua busca. O Vaticano esperava que Saunière encontrasse a Arca da Aliança perdida há mais de 600 anos;
  • dinheiro e objetos de valor escondidos pelas famílias nobres da região quando tiveram que fugir do país por causa da Revolução Francesa;
  • evidência de que as aparições de Maria do século 19, foram encenadas por uma sociedade secreta com uma causa legitimista para levar Henrique V e a dinastia dos Bourbons de volta ao trono da França;
  • o corpo mumificado de Cristo, Maria Madalena ou ambos está enterrado na região em algum lugar;
  • a Arma Christi (os instrumentos utilizados durante a Paixão de Cristo) foram mantidos em Notre Dame de Marceille e Rennes-le-Château por um grupo de Ebionitas Fransciscanos.


Bem, seja qual for o mistério que Rennes-le-Château guarda, é muito pouco provável que a verdade venha a público, ficando em aberto para mais lendas fantásticas e conspirações. Quem sabe mais histórias para um próximo artigo no Zona 33.

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Imagem via visite la france
Fonte(s)  theunredacted, wikipedia (1), (2), (3)
Capa  arte por Nando Bonvento