José Maximiano: A Lenda do corpo seco

Segundo o rico folclore do interior do brasileiro, o Corpo Seco seria um defunto que vaga, esquelético e insepulto, pela Terra, em virtude de uma vida de malefícios ou mesmo uma mulher que manteve relações sexuais com o diabo e, em consequência, definha. Anteriormente, contei a história de João D'Avilla, hoje irei narrar a história de José Maximiano.



Reprodução:Acervo/Prefeitura de Monteiro Lobato

O “Corpo Seco” é uma assombração cuja lenda, relativamente recente, de meados do século XX, é contada principalmente no interior São Paulo. “Nem a terra aceita receber as pessoas que maltratam seus pais”.
Este foi o caso de um homem chamado Zé Maximiano, morador do município de Monteiro Lobato - SP, região da Serra da Mantiqueira, um homem conhecido por sua crueldade. José, quando em vida, costumava matar animais por diversão, além de maltratar e até espancar seus pais.
Como todo bom briguento, um dia Zé acabou encontrando seu algoz: em uma briga, ele acabou morrendo de “morte matada” (assassinado), e foi enterrado no Cemitério Municipal. Porém, quando foi enterrado, uma coisa coisa estranha aconteceu: mesmo sendo enterrado embaixo de sete palmos, a terra não o aceitou e empurrou o corpo de volta para a superfície. Devido à esse fato bizarro acharam por bem transferir o corpo para um lugar ermo e, por recomendação do padre da cidade, decidiram por uma gruta cuja entrada era delimitada por um córrego, pois, a lenda dizia que tal entidade não atravessa a água. Um amigo do defunto, Pedro Vicente, encarregou-se de fazer o transporte. O corpo foi colocado em um balaio e, ainda por recomendação do padre, Pedro levou consigo uma vara de marmelo, pois havia risco do morto se rebelar e, nesse caso, o jeito era bater-lhe com a vara. Dito e feito, o Corpo seco tentou agarrar o amigo a fim de matá-lo, mas foi repelido com varadas.

Consegui rastrear a lenda original até esse ponto, não se sabe se Pedro Vicente conseguiu se desvencilhar completamente do Corpo Seco ou não... o que contam é que em certas noites escuras, nesse pequeno município da microrregião de Campos do Jordão, em meio à Serra da Mantiqueira, um cadáver malcheiroso vaga enquanto entoa lamentos que fazem gelar a alma dos ouvintes desavisados.

O Corpo seco de José Maximiano não passa de apenas uma lenda? Alguns antigos locais juram de pé junto que o causo é verdadeiro.
Diz o povo que entes sobrenaturais como o Corpo seco agem nas noites de sexta-feira à meia-noite. Aparece na beira dos rios e açudes, outros contam ainda que ele fica nas estradas tocaiando os transeuntes dos quais, ao modo dos vampiros, chupa o sangue para se manter vagando pela terra, evitando assim ser tragado para os quintos dos infernos.


Existem ainda relatos do Corpo seco nos estados do Paraná, Amazonas, Minas Gerais, e em alguns países africanos de língua portuguesa, relatados por soldados brasileiros veteranos da missão UNAVEM III e na região Centro-Oeste do Brasil, principalmente.
Em Ituiutaba, Minas Gerais, há uma variação desta lenda, onde conta-se que o Corpo seco, depois de ser repelido pela terra várias vezes, é levado por bombeiros à uma aparente caverna em uma serra que fica ao sul do município. Dizem que quem passa à noite pela estrada de terra que margeia a “serra do Corpo seco”, consegue ouvir os gritos do Corpo seco ecoando de dentro da caverna. Nesta versão a mãe o amaldiçoa antes de morrer, por ter sido usada como cavalo pelo filho.


Aqui narrei a lenda de José Maximiano, uma das tantas lendas de Corpo Seco que circulam pelo Brasil afora. Se conhece alguma outra e quer colaborar, entre em contato.
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Est. 2013

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