Universos paralelos

O caso de Lerina Gordo

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Quão diferente seria sua vida se você tivesse aceitado aquela oferta de emprego em outro estado? E sobre aqueles poucos segundos que você atrasou naquela manhã em que sofreu algum acidente? E aqueles números premiados que você deixou de jogar? Aquela pessoa que você deixou de convidar para sair?

Em 16 de julho de 2008, uma mulher espanhola chamada Lerina Garcia Gordo postou um comentário em um fórum on-line pedindo por ajuda. A mulher espanhola que na época possuía 41 anos de idade, afirmou ter acordado em um universo paralelo. Não em um mundo totalmente diferente do que tinha deixado para trás na noite anterior. No entanto, pequenas inconsistências em vários aspectos de sua vida começaram a convencê-la de que ela estava, na verdade, vivendo em uma realidade alternativa.


Em nosso mundo existem infinitas possibilidades decorrentes das nossas milhares de deciões diárias, no entanto, nós podemos escolher viver apenas um conjunto de possibilidades. Verdadeiro ou falso. Sim ou não. Assumir o cargo, ou não. Mas, se entrarmos no incrível mundo da mecânica quântica, então as possibilidades aumentam exponencialmente.
Superposição quântica é o princípio da mecânica quântica, que afirma que quaisquer dois ou mais estados quânticos podem ser adicionados em conjunto, resultando em outro estado quântico válido. Em outras palavras, um átomo pode ser animado ou não, ao mesmo tempo. Ou pode estar em dois locais também, ao mesmo tempo.

Trocando em miúdos, isso significa que podem existir infinitos "nós" e infinitos mundos, cada um deles com seu conjunto de probabilidades. Em um você é feliz, em outro não, ou quem sabe sim e não... são muitas possibilidades.
Mas, seria então possível a transmissão da consciência de uma realidade para outra? Como a informação de um átomo em um entrelaçamento quântico? Não entendeu meu raciocínio? Não importa, prossiga lendo a história que irá compreender melhor.

Créditos: Bertram/Motion Forge

Naquela manhã do dia 16 de julho, Lerina acordou para descobrir que seus lençóis eram de uma cor diferente. Ela estava confusa e perturbada com o fato de que eles eram de um conjunto completamente diferente. Não eram apenas as cores que estavam diferentes, havia lago mais. Não sendo capaz de chegar a uma explicação racional, Lerina decidiu ficar pronta e se dirigir para seu trabalho no escritório. Um trabalho que ela havia sido empregada nos últimos 20 anos ou mais.
O carro dela estava no mesmo local que ela havia deixado na noite anterior. Ela entrou no mesmo e saiu dirigindo, seguindo pelo mesmo caminho que ela estava acostumada a fazer desde que se mudou para o seu apartamento, há sete anos. Além dos lençóis, tudo parecia normal para Lerina. Isso até ela chegar ao seu escritório.
No interior do edifício do escritório haviam algumas pessoas estranhas que ela nunca havia encontrado antes. Lerina caminhou para seu próprio escritório apenas para descobrir que havia uma placa com um nome diferente em sua porta. Não era o nome dela. Ela então pensou que talvez tivesse entrado no andar errado do edifício, no entanto, um olhar rápido revelou que ela estava no local certo. Ela estava no escritório correto, era apenas o seu nome havia sido substituído.
Lerina estava confusa. E se ela havia sido demitida e ninguém a avisou? Após 20 anos de trabalho fiel, era assim que eles iriam tratá-la?

Ela pegou seu laptop e conectou à rede sem fio da empresa. Lá, ela descobriu que ainda estava na lista de funcionários da empresa, no entanto, mostrava que ela estava sob um gerente diferente, em um departamento totalmente diferente. Sua cabeça estava girando.
Ela imediatamente verificou seus cartões de crédito, carteira de motorista, e o ID do trabalho. Todos eles refletiram a mesma informação que ela já conhecia. Mesmo nome, mesma foto, mesmos números, e mesmo endereço. Não sabendo o que pensar, ela chamou seu supervisor e lhe disse que ela não estava se sentindo bem naquele dia. As inconsistências daquela manhã fez com que ela pensasse que algo estava clinicamente errado consigo.
Ela tirou o resto do dia de folga e foi direto para o consultório médico. Lá eles a examinaram, verificaram sinais de quaisquer drogas ilícitas em seu sistema nervoso. Os testes deram negativo. Ela não possuía quaisquer traços de álcool ou drogas em seu organismo.

Lerina voltou para casa e começou a vasculhar seus arquivos pessoais. Extratos bancários, cheques pessoais, contas... ela checou todos eles duas vezes. Todos mostravam as mesmas informações que ela já conhecia. Então, um pensamento surgiu em sua cabeça. 'E se for amnésia? E se alguma coisa aconteceu comigo e não me lembro de partes da minha vida?'

Lerina imediatamente se conectou à internet e começou a vasculhar a rede. Ela notou que as notícias e histórias em destaque eram as mesmas que na noite anterior, por isso concluiu que não havia perdido a memória dos dias anteriores. Tanto quanto Lerina sabia, ela se recordava de viver uma vida um pouco diferente.
Faziam seis meses que Lerina havia rompido um namoro de sete anos. Ela tinha recentemente começado a namorar um homem (Agustin), que morava na mesma rua dela. Eles estavam namorando há apenas quatro meses, porém ela o conhecia muito bem. Quando ela ligou para o número de seu novo namorado, outra pessoa atendeu. Disseram à Lerina que não havia ninguém com o nome Agustin, ou que combinasse com sua descrição, vivendo naquela casa.
A notícia a deixou chocada, pois ela tinha passado os últimos quatro meses conhecendo o cara. Ela tinha até conhecido seu filho e começado a desenvolver um relacionamento com ele também. Mas agora, não haviam sinais de seu namorado e seu filho. À medida que o dia passava, ela encontrava mais e mais inconsistências. Ela não tinha escolha, a não ser ir ao trabalho no dia seguinte e fingir que tudo estava bem.
Ainda assim, Lerina continuou perguntando e perguntando, mas ninguém havia ouvido falar de Agustin ou de seu filho. Era como se nunca tivessem existido. Foi quando ela soube que ela nunca havia deixado seu ex-namorado. Que eles estavam juntos há sete anos e não havia nenhum sinal de que algum dia eles tivessem se separado.
Lerina não sabia o que pensar. O que tinha acontecido com a vida que ela conhecia? O que aconteceu com a sua carreira? E se ela tivesse alucinado tudo isso?
A única coisa que conseguiu pensar foi que talvez ela teve um colapso nervoso em algum ponto de sua vida. Um colapso grave o suficiente para implantar falsas memórias em sua cabeça, ou pelo menos é o que ela pensou quando visitou uma clínica psiquiátrica. No entanto, os testes concluíram que ela estava de corpo e mente saudáveis. Os médicos disseram-lhe que talvez ela estivesse sob um forte estresse e poderia ter alucinações com tudo isso. Uma explicação que ela já havia formulado anteriormente em sua cabeça, quando tentava entender o que estava acontecendo, mas sabia que não era verdade.
Ela partiu à procura de seu namorado Agustin, mas voltou de mãos abanando. Um investigador particular, contratado por ela, concluiu que não haviam sinais de Agustin ou seu filho naquela cidade.
Sua própria família pensou que Lerina estava ficando louca quando ela perguntou sobre a operação no ombro de sua irmã mais nova. Eles olharam confusos quando Lerina insistiu que sua irmã havia passado recentemente por uma cirurgia em seu ombro. Uma alegação de que ninguém em sua família poderia se lembrar. Tanto quanto sua família sabia, não houveram cirurgias feitas em qualquer membro da família.
Dias, semanas e meses se passaram e Lerina começou a descobrir pequenas, mas enervantes diferenças na sua vida. Roupas em suas gavetas e armários que ela não se lembrava de ter comprado, posts em blog que fizera semanas, até mesmo dias antes, haviam desaparecido. E-mails e conversas que não estavam mais arquivados em seu computador. No entanto, visitando sites de notícias e blogs, o mundo parecia ser exatamente o mesmo; assim como ela se lembrava antes de ir para a cama naquela noite de julho.
Como os meses se passaram e nenhuma resposta foi encontrada, Lerina se convenceu de que ela tivesse simplesmente ido para a cama aquela noite e acordado em um universo paralelo. Um mundo em que sua vida tinha sido alterada por pequenas decisões de seu passado.
Tendo procurado atendimento médico, Lerina sabia que ninguém iria acreditar em seu calvário. Então ela fez o que qualquer um em sua posição faria: Pediu por ajuda na internet, hehe.


Traduzido do Espanhol:
Por favor, se alguém passou por algo semelhante, por favor contate-me. Quero saber o que aconteceu comigo, como nenhuma patologia tenha apontado o que acontece comigo. Eu passei os últimos cinco meses lendo teorias que eu encontrei on-line e estou convencida de que eu tenha saltado para uma realidade alternativa. Alguma coisa, alguma ação que deva ter tomado mudou a minha realidade.
Se eu fiz salto para um universo paralelo, então por que estou vivendo no mesmo ano? Eu sou a mesma pessoa, apenas pequenas diferenças na vida.
Para me explicar melhor, isto é como ter perdido os últimos 5 meses da minha vida. É como se eles fossem apenas um sonho, no entanto todo mundo tem as memórias daqueles 5 meses, exceto eu. E eu fiz coisas durante esse tempo que eu não tenho memórias de ter feito.
Por favor, abstenha-se de fazer piadas ou dizer-me que você tem "a verdade". Isso é muito sério para mim.
Obrigado: lerinagarciagordo@yahoo.es
Post original de Lerina: http://www.tendencias21.net/La-realidad-estaria-compuesta-de-multiples-universos_a1701.html?start=50#comments


O que teria ocorrido com Lerina Garcia Gordo? Ela sofre de uma condição médica que a fez acreditar que ela viveu em um mundo alternativo? Será que ela realmente acordou em um universo diferente?