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10 Assombrações do interiorzão

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Nos vastos territórios desse país que possui atualmente mais de 200 milhões de habitantes, ainda existe solo fértil para germinar lendas de assombrações e criaturas fantásticas. Verdade, mito ou ilusões criadas pela mente de pessoas com pouca instrução e viajantes assustados, o fato é que histórias de fantasmas, lobisomens e afins, não param de aparecer mesmo nos dias de hoje. Com esse post, iniciarei uma série em que falarei sobre as centenas de assombrações que rondam o interiorzão do Brasil. Confira.



10.

Maria Sabão

Maria Sabão foi uma escrava que viveu no século XVIII em Passagem de Mariana, um distrito do município de Mariana, no interior de Minas Gerais. Descrita como uma mulher negra forte, calada e de olhos arregalados, ela sobrevivia lavando as roupas do senhor da casa grande à qual ela pertencia. Ela tinha o costume de fabricar sabão com abacate e sebo, daí o apelido "Maria Sabão". Por conta disso, surgiram boatos de que o seu dono mandou-a utilizar o sebo de meninos que morriam em acidentes nas minas do Morro Santo Antônio. Em vista disso, começaram a utilizar-se dessa história como um modo de ameaçar crianças para se comportar "ou seriam transformados em sabão pela Maria Sabão".

A ideia pode ter parecido boa para os pais, no entanto ela parece ter perturbado a pobre escrava, tanto que reza a lenda que até hoje alegam que sua assombração possui residência fixa em uma mina de ouro abandonada cuja entrada se dá numa rua chamada Boqueirão. Dizem que a assombração costuma perseguir crianças para fazer sabão, principalmente aquelas que recitam a cantiga que tanto perturbou a pobre escrava em vida: "Maria sabão, vai fazer sabão, de montão!".



09.

Noiva de Furquim

Essa assombração ocorre perto da anterior, na entrada do distrito de Furquim (28 km de Mariana). A história conta sobre um acidente de ônibus, no qual uma noiva e mais 11 passageiros faleceram, na década de 70. Porém, quem prestou socorro, roubou a aliança da defunta. Sendo assim, ela sempre aparece na beira da estrada, dando sinal aos carros.
Como é muito bonita, os motoristas param achando que vão se dar bem. Entretanto, ela entra no carro ou ônibus e depois desaparece no ar. Segundo relatos, um enfermeiro de Acaiaca, duvidando da história, parou no local onde ela é vista e a chamou, só que ele não esperava que ela aparecesse — mas apareceu. O enfermeiro passou mal, desmaiou e foi levado para o Hospital de Mariana. Após isso ele colaborou com um retrato falado da noiva, que é uma espécie de Mulher de Branco. Diversas outras testemunhas relataram terem visto a noiva fantasma que pede carona.



08.

Cavaleiro da Quaresma

Em Diogo de Vasconcelos - MG, essa assombração é famosa. Trata-se da aparição de uma figura sombria, com esporas em chamas, montada em um cavalo — não me diga! — extremamente veloz, que segundo relatos, ultrapassa até os veículos, por onde passa. De acordo com o que o povo conta, ele detesta cachorros, e quando os vê, dá chicotadas e os fere. O que tem intrigado muitos é que ultimamente ele tem aparecido fora de época — ou seja — fora da quaresma.
Tirando alguns relatos de sustos por parte das testemunhas e alguns cachorros com uma tira de coro arrancada, não existem vestígios de que essa assombração tenha atacado ou matado alguma pessoa.



07.

Gigantes

Em algumas regiões do interior, principalmente na divisa entre Minas e São  Paulo — Serra da Mantiqueira —  e na região de Ouro Preto (MG), são relatadas aparições de assombrações enormes, que deixam marcas profundas no solo. Segundo relatos eles podem crescer e diminuir. Abaixo, um relato sobre um encontro do gênero:


Esse relato é do meu bisavô, pai da minha vó materna . Preciso que saiba que eu e toda a minha família a gerações somos evangélicos, e temos horror a mentiras, então por favor, peço que acreditem em mim.
Quem me contou a história foi minha avó, que eu amo muito, e graças a Deus está viva. Já meu bisavô não, nem tive a chance de conhecê-lo .

Ela disse que quando o pai dela era vivo, há muito tempo, quase 100 anos atrás, ele estava voltando bem de noite pra casa. Na época ele era conhecido como "malandro" — não desses de beber e pegar mulher, mas pelo jeito de se vestir e sair com os amigos, meu bisavô jamais sequer colocou uma gota de álcool na boca — e estava em um boteco com os amigos conversando e ouviu várias pessoas falando: "Ah, você viu a mulher gigante na rua esses dias? Todo mundo  tem visto!". Ele disse: "Papo furado , isso não existe".

Por volta das 2 da manhã, ele saiu do boteco e voltou pra casa sozinho. As ruas eram pouco iluminadas naquela época e os postes ainda eram de madeira. No caminho pra casa havia uma encruzilhada, um dos lugares preferidos para se fazer despachos de macumba. Havia perto daquela encruzilhada um terreno com mato alto, abandonado, cercado com arame farpado, que iria ser construído ali uma casa ou algo do tipo. Quando meu biso passou por ali, ele viu passar por debaixo do arame uma mulher maior que o tamanho do poste, de vestido branco, com uma cesta na cabeça, maria chiquinha e uma cara emburrada que olhava fixamente nos olhos dele. Meu biso, coitado, quase teve um treco! Ele sem saber o que dizer falou: "Boa noite!", e a mulher gigante respondeu: "HUM" bem grave. Meu biso acelerou o passo, e quando olhou para trás não viu mais nada.

Ele chegou em casa e chamou a mãe dele e contou o que havia acontecido, e ela acreditava totalmente nele. Ele jurou por Deus que era verdade o que ele viu.

Essa história é passada a várias gerações. Sei que não é algo de causar medo, mas é algo meio fora do comum.

Raquel O. [fonte]



06.

Emília

Essa assombração encontra-se em Ouro Preto - MG. Emília costuma aparecer dançando quadrilha. Em vida, ela era filha de um comerciante e namorava escondida um rapaz conhecido como Bolão, estudante de engenharia da Escola de Minas de Ouro Preto, no início do século passado. Para se encontrar, ela tocava o sino da igreja, com batidas pausadas. Quando Bolão foi fazer mestrado em Portugal, o pai da jovem, que descobriu o namoro e tinha outros planos para filha, disse à Emília que o navio de Bolão tinha afundado. Ela morreu apaixonada, sempre tocando o sino. Quando Bolão regressou, foi procurar Emília, ficou sabendo da história e se matou.
Hoje, a casa de Emília é a única da rua que está em ruínas, no centro de Ouro Preto, pois ninguém quis morar mais lá — por motivos óbvios...



05.

Homem toco

Se ao ler o título você pensa que trata-se de uma assombração que levou vários foras, está enganado(a) — Ba Dum Tss! — O homem toco, por mais bizarro que possa parecer, segundo descrições, é literalmente um toco.
Pois é, excesso de criatividade das testemunhas ou não, segundo as descrições, ele é um toco que se move rapidamente e controla suas raízes. Os relatos contam que o monstro costuma atacar viajantes, coloca raízes para provocar quedas de cavalos, bicicletas e acidentes de veículos. Você tá lá de boa fazendo uma trilha de moto e um toco assombrado entra na sua frente pra te derrubar. As motivações dele para isso? Vai saber!
De qualquer forma, têm muitas testemunhas que juram de pé junto que foram vítimas do toco e morrem de medo dele. Se você está afim de levar uma rasteira, é só dar um passeio lá pelas bandas de Diogo de Vasconcelos.



04.

Lambizome Pezão

Se você achava que Diogo de Vasconcelos tinha "apenas" o Homem toco para oferecer de bizarro, pense outra vez. Segundo relatos, entre Padre Viegas, Mainart e Diogo de Vasconcelos (MG), um certo lobisomem costuma fazer aparições.

Conhecido como "Lambizome pezão", trata-se de um lobisomem que tem pé grande e lambe as vítimas antes de morder. Vendo pela ótica do lobisomem, faz sentido provar antes de comer. Vai que o sabor não está bom, não é?
Uma das vítimas foi parar no hospital após ter sido derrubada de sua moto pela criatura. Outra testemunha acabou atropelando o lambizome e saiu no prejuízo com o carro amassado. Tristeza das vítimas, alegria dos funileiros. Só não me pergunte qual testemunha que levou a lambida e sobreviveu para contar, que eu não faço ideia!



03.

Capitão Jacks

A assombração, um inglês, foi o chefe de uma área da Mina de Ouro de Passagem (OPM) que morreu dentro da mina. Um administrador de Belo Horizonte foi contratado para ser diretor da OPM. Após dois meses trabalhando no local, encontrou um homem à cavalo, todo de branco. O administrador perguntou quem ele era, a assombração respondeu em inglês: "I am Captain Jacks" (Sou capitão Jacks) e foi embora galopando. Irritado, o diretor fez uma reunião com funcionários e seguranças, cobrando como deixaram um homem à cavalo invadir a mina. Então, um funcionário antigo levou o diretor ao cemitério anglicano em ruínas que fica dentro da OPM e mostrou a sepultura de capitão Jacks. No mesmo dia o administrador pediu demissão.
Segundo relatos, ele costuma assombrar a tal área em que fica sua sepultura.



02.

Coronel João D'Avilla

Décadas atrás, existiam poderosos proprietários rurais conhecidos como coronéis (oligarquias), que comandavam com mãos de ferro. Em Vargem Grande do Sul (interior de São Paulo), época essa em que a cidade era considerada uma pequena vila onde residiam trabalhadores rurais, residia João D'Avilla, um coronel que possuía grande parte das terras da região, dono de escravos que trabalhavam nas suas fazendas de café e que era temido por ser excessivamente cruel com quem ousasse contrariá-lo. Um dos casos que elucidam foi o ocorrido com o Padre Donizetti, o qual possui processo de beatificação instaurado por milagres e curas atribuídos à ele na década de 50.
O padre viveu em Vargem Grande do Sul por 16 anos como vigário da paroquia, tempo esse em que foi contra os interesses do coronel e acabou se tornando alvo do próprio, o qual não sossegou enquanto o padre não fosse embora da cidade. De posse dessa informação, vocês já devem imaginar a índole do sujeito em questão.
Passado algum tempo, o coronel veio a falecer, tendo funeral de caixão fechado, sem deixar herdeiros. Passado alguns anos acontecimentos estranhos começaram a rondar onde agora fica o bosque municipal e a barragem Eduíno Sbardellini. Pessoas apareceram misteriosamente mortas no local, e boatos começaram a correr de que o autor seria o Coronel João D'Avilla, com o corpo rejeitado pela terra, agora vagando pelo bosque como um corpo seco.
Relato de pessoas que remetem o século XX, descrevem um esqueleto coberto com pele frouxa que vaga pelo bosque durante a noite — literalmente um corpo seco!

Anteriormente publicamos uma matéria sobre esse assunto que pode ser conferida aqui.



01.

Tereza Bicuda

Jaraguá - GO, é o lar de um fantasma que aterrorizou a população da cidade, e hoje é patrimônio cultural do município, Tereza Bicuda.
Em vida, Tereza foi uma moça de lábios grossos que lhe renderam o apelido de bicuda. Morava em Jaraguá, no Larguinho de Santana. Pessoa de má índole, tratava a mãe de forma absolutamente cruel: botava a velha para mendigar nas ruas, batia nela, humilhava. Um dia, chegou ao extremo da maldade e, diz o povo, colocou um freio de cavalo na bocada genitora, montou, e nela andou montada à frente de todo o povo. Aquilo foi demais: a pobre mulher morreu mas, antes, excomungou a filha desnaturada.

No meio religioso e de extrema moralidade da antiga Vila de Jaraguá, Tereza Bicuda era uma aberração social. Descrente, nunca visitava a igreja. Quando era forçada a passar diante de alguma, virava o rosto e praguejava baixinho. Trabalhava aos domingos, para que o povo visse que não respeitava as tradições eclesiásticas. Era a ofensa à consciência das velhas beatas, que diariamente frequentavam as igrejas e capelas de Jaraguá.

Um dia, Tereza Bicuda morreu.

Nem uma lágrima surgiu de algum olho cristão. Não merecia lágrimas nem piedade quem não soubera viver e não chamara o padre no seu último momento.
Era costume colonial enterrar os defuntos no corpo das igrejas. A capelinha do Rosário, situada ao sopé de suave colina, sempre fora a depositária dos corpos pobres, que não podiam ter o luxo de serem enterrados dentro da matriz. Na capelinha do Rosário foi então enterrada Tereza Bicuda, sem cerimônia preliminar.

Por três noites consecutivas, ao soar da meia-noite, a população ouvia medrosa os gritos que soltava Tereza Bicuda pedindo que retirassem o seu corpo de dentro da capelinha. Ali não era o seu lugar na morte, como não fora em vida. À meia-noite em ponto, Tereza Bicuda saía do seu túmulo e percorria as ruas quietas da vila, gritando desesperadamente.

O terror gelava os que a ouviam. Daquela noite em diante, os notívagos viam sempre surgir lá no fim da rua um imenso vulto branco a correr, deixando cair das suas vestes sujas línguas de fogo, que enchiam o ar com o cheiro desagradável de enxofre. Por onde passava, iam ficando os vestígios de seus pecados. A grama queimava ou secava. Os animais traziam pelos sapecados.

O povo quis pôr um termo ao martírio que vinham sofrendo. E os homens mais corajosos da vila exumaram Tereza Bicuda e levaram seu corpo, já em vermes, para a serra de Jaraguá. Ali, num lugar pedregoso o jogaram. Um forte cheiro de enxofre enchia o ar.
No local numa mais surgiu uma planta, mas também Tereza Bicuda não mais aterrorizou com seus gritos a pacata população jaraguarense.

Reza a lenda que na Serra de Jaraguá existe ainda o local onde dizem que ela foi enterrada, onde hoje há uma cruz de madeira. As pessoas dizem que lá possui um pé de caju assombrado e se você tentar pegar os frutos da árvore será atacado por um enxame de abelhas. Além disso, dizem também que nas noites de lua cheia se você tentar subir na Serra a própria Tereza Bicuda aparecerá pra você e lhe montará como ela fez a sua mãe.
Vai querer arriscar?


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