Top 10 piores desastres nucleares da história

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Os efeitos a longo prazo dos desastres nucleares, muitas vezes podem perdurar ao longo de milhares de anos. Estima-se que Chernobil não vai ser habitada por pelo menos mais 20 mil anos. Apesar da ameaça de desastres nucleares, acredite ou não, existem várias usinas desse tipo no mundo todo, e fornecem aproximadamente 5,7% da energia mundial e 13% da eletricidade mundial.
Com tantas usinas espalhadas pelo mundo, desastres nucleares acabam acontecendo de vez em quando. Cada desastre nuclear tem sido dado um nível na Escala Internacional de Ocorrências Nucleares (INES). Para que você entenda melhor a gravidade dos acidentes listada a seguir, confira do que se trata cada nível da escala:


Nível 1 – Anomalia: Incidentes que não afetam a população ou o meio ambiente, além de quase sempre não comprometerem, ou comprometer em pequena escala, os mecanismos de segurança das instalações nucleares.
Nível 2 – Incidente: Casos onde trabalhadores se expõem além do limite legal anual, população acima de 10 milisieverts, ou radiação acima de 50 milisieverts por hora em área operacional.
Nível 3 – Incidente grave: Exposição 10 vezes acima do limite anual pré-fixado para trabalhadores com consequências não-letais (queimaduras, por exemplo). E, agravamento de poluição em área não coberta.
Nível 4 – Acidente com consequências locais: Liberação em pequena quantidade de materiais radioativos ao ambiente com pelo menos 1 morte ou em grande quantidade dentro de uma instalação. Há, também, fusão de combustível nuclear.
Nível 5 – Acidentes com consequências de longo alcance: Liberação de quantidade limitada de materiais radioativos com várias mortes ou grande quantidade dentro de uma instalação. Nesses acidentes, há danos ao núcleo do reator, alta probabilidade de exposição à população. Geralmente são causados por incêndios ou acidentes graves.
Nível 6 – Acidente Grave: Liberação em quantidade importante de materiais radioativos para o ambiente externo, passível de exigir aplicação de medidas remediadoras.
Nível 7 – Acidente mais grave ou superior: Liberação extensa de material radioativo com efeitos amplos sobre a saúde da população e do meio ambiente, com exigência de ações remediadoras planejadas pelas autoridades.

Agora, confira os 10 piores desastres nucleares da história até o dia presente.



10.

Tokaimura, Japão 1999

Nível 4
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A manhã começou banal no dia 30 de setembro na usina de processamento de Tokaimura, a 150 quilômetros de Tóquio, no Japão. Em suas instalações, o urânio bruto, usado como combustível nuclear, é purificado antes de seguir para os 51 reatores atômicos que geram 35% da eletricidade do país.
Três funcionários fizeram sua tarefa: deram um banho de ácido nítrico no urânio para dissolver suas impurezas. Cometeram só um erro. Puseram no tanque de ácido 16 quilos de mineral radioativo, sete vezes mais do que o permitido. Com isso, os nêutrons do urânio, partículas atômicas que brotam da substância em raios invisíveis, iniciaram uma reação em cadeia nunca vista na usina.
Em minutos, os três homens absorveram pela pele nêutrons suficientes para deixá-los entre a vida e a morte.
No total, 49 japoneses foram afetados – 39 funcionários, 3 bombeiros e 7 moradores das redondezas. Todos correm risco de desenvolver câncer nas próximas décadas ou de terem seus filhos afetados. Os vizinhos foram contaminados pelo ar, que absorveu radioatividade na hora do bombardeio de nêutrons. A ausência de vento evitou que o veneno se espalhasse, mas, por precaução, 320 000 cidadãos, num raio de 10 quilômetros em torno da usina, tiveram que deixar suas casas por 24 horas


09.

RA-2, Argentina 1983

Nível 4
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No dia 23 de Setembro de 83, em Buenos Aires, alguns erros do operador durante a reconfiguração de uma placa de combustível levou-o a óbito dois dias depois. Havia uma excursão de 3 × 10 fissões na instalação RA-2 com o operador absorvendo 2.000 rad de gama e 1700 rad de radiação de nêutrons. Outras 17 pessoas de fora da sala do reator absorveram doses que variam de 35 rad para menos de 1 rad.


08.

Saint-Laurent, França 1969

Nível 4
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No dia 17 de outubro de 1969, 50 kg de urânio começaram a derreter em um dos reatores de gás resfriado. Este foi classificado como nível 4 no INES e até hoje continua a ser o desastre nuclear civil mais grave da história da França.


07.

SL-1, EUA 1961

Nível 4
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Em 03 de janeiro de 1961, no estado de Idaho — EUA, um reator nuclear experimental do exército estadunidense, sofreu uma explosão de vapor e derreteu matando seus três operadores. O incidente ocorreu por causa da remoção indevida da haste de controle, responsável por absorver nêutrons no núcleo do reator. Este evento é o único acidente fatal de reator conhecido nos EUA. O acidente liberou cerca de 80 curies de iodo-131.


06.

Three Mile Island, EUA 1979

Nível 5
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Em Three Mile Island (Pensilvânia), uma falha humana impediu o resfriamento normal de um reator, cujo centro começou a derreter. Os dejetos radioativos provocaram uma enorme contaminação no interior do recinto de confinamento, destruindo 70% do núcleo do reator. Um dia depois do acidente, um grupo de ecologistas mediu a radioatividade em volta da usina. Sua intensidade era oito vezes maior que a letal. Cerca de 140 mil pessoas foram evacuadas das proximidades do local. O acidente foi classificado no nível 5 da escala internacional de eventos nucleares (INES).


05.

Sellafield, Reino Unido 1957

Nível 5
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O pior desastre nuclear da história da Grã-Bretanha ocorreu no dia 10 de outubro de 1957 e foi classificado no nível 5 da escala INES. As duas pilhas tinham sido apressadamente construídas como parte do projeto da bomba atômica britânica. A primeira pilha foi ativa em meados de outubro de 1950 e a segunda logo em seguida, em junho de 1951. O acidente ocorreu quando o núcleo da unidade 1 do reator pegou fogo, liberando quantidades substanciais de contaminação radioativa na área circundante. 240 casos de câncer já foram ligados ao acidente. Todo o leite de dentro de cerca de 500 quilômetros da zona rural nas proximidades foi diluído e destruído em cerca de um mês.


04.

Césio 137, Brasil 1987

Nível 5
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Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo de Goiânia deram início ao que seria o maior acidente radioativo do Brasil. Ao arrombarem um aparelho radiológico, encontrado nos escombros de um antigo hospital, expuseram o césio 137, pó branco que emitia um estranho brilho azul quando colocado no escuro. Considerado sobrenatural, o elemento radioativo criado em laboratório passou de mão em mão, contaminando o solo, o ar e centenas de moradores da capital goiana.
Foram necessários 16 dias para perceberem que a substância estava deixando um monte de pessoas doentes. Durante esse tempo, a contaminação só se espalhava. Após o desastre, os trabalhos de descontaminação produziram 13,4 toneladas de lixo radioativo entre roupas, utensílios, plantas, animais, restos de solo e materiais de construção. Tudo isso foi armazenado em cerca de 1200 caixas, 1900 tambores e 14 contêineres, guardados em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiânia, a 24 quilômetros da capital - e lá deve ficar por pelo menos 180 anos.
"O brilho da morte", como o césio foi chamado por Devair Alves Ferreira, primeira pessoa a entrar em contato direto com o elemento, fez centenas de vítimas. Quatro morreram cerca de um mês após a exposição. Entre elas, uma criança de 6 anos, Leide das Neves, considerada a maior fonte humana radioativa do mundo. Atualmente, as vítimas reclamam do descaso do governo, afirmando que estão sem assistência médica e medicamentos. O governo nega a acusação e afirma que as vítimas usam o acidente para justificar todos os seus problemas de saúde. Em 1996, a Justiça condenou, por homicídio culposo, três sócios e um funcionário do hospital abandonado a três anos e dois meses de prisão. Mas as penas foram trocadas por prestação de serviços.


03.

Kyshtym, Rússia 1957

Nível 6
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Após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética estava empenhada em alcançar o poderio nuclear dos Estados Unidos. O governo contratou cientistas renomados para trabalhar em um programa que deu origem a uma dúzia de usinas atômicas pelo país, incluindo a construção da usina de Mayak, próxima à pequena cidade de Kyshtym. Mas a pressa em erguer o projeto foi negligente em relação à segurança. No dia 29 de setembro, uma falha no sistema de refrigeração do compartimento de armazenamento de resíduos nucleares causou uma explosão em um tanque com 80 toneladas de material radioativo. As partículas liberadas contaminaram a região de Mayak e cidades próximas num raio de 800km. Como a cidade de Ozyorsk, sede da tragédia, não integrava oficialmente o mapa soviético, o acidente nuclear ficou conhecido como "O Desastre de Kyshtym", em referência à cidade vizinha. Na ocasião, o governo russo forçou a evacuação de 10 mil pessoas das áreas afetadas, privando-as de explicações. Só uma semana depois, com o surgimento dos primeiros efeitos físicos e anomalias, é que a população foi oficialmente informada sobre o acidente nuclear. Estima-se que pelo menos 200 pessoas morreram de câncer em decorrência da exposição à radiação. .


02.

Fukushima, Japão 2011

Nível 7
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O acidente nuclear de Fukushima Daiichi, foi um desastre nuclear na Central Nuclear de Fukushima I em 11 de março de 2011, sendo o resultado de um derretimento de três dos seis reatores nucleares da usina. A falha ocorreu quando a usina foi atingida por um tsunami provocado por um terremoto de magnitude 9,0. A usina começou a liberar quantidades significativas de material radioativo em 12 de março, tornando-se o maior desastre nuclear desde o acidente nuclear de Chernobil, em abril de 1986, e o segundo (depois de Chernobil) a chegar ao nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, inicialmente liberando cerca de 10-30% da radiação do incidente anterior. Em agosto de 2013, uma enorme quantidade de água radioativa foi um dos problemas mais urgentes que afetam o processo de limpeza do local, que deve durar décadas. Houve contínuos vazamentos de água contaminada na usina e alguns no mar. Trabalhadores da fábrica estão tentando reduzir os vazamentos através de algumas medidas, como a construção de muros subterrâneos químicos, mas eles ainda não têm melhorado significativamente a situação.

Embora nenhuma morte por exposição à radiação tenha sido relatada, cerca de 300 mil pessoas foram evacuadas da área, 15.884 (em 10 de fevereiro de 2014) de pessoas morreram devido ao terremoto e tsunami e (em agosto de 2013) aproximadamente 1.600 mortes foram relacionadas às condições de evacuação, como viver em habitações temporárias. A causa exata da maioria dessas mortes relacionadas a evacuação foram especificadas porque isso seria um obstáculo à aplicação de uma compensação financeira aos parentes dos falecidos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que desalojados foram expostos a radiação pouco a pouco, por isso estes efeitos estão provavelmente abaixo dos níveis detectáveis, sendo o risco de desenvolvimento de câncer por radiação extremamente pequeno para a maior parte dos afetados e principalmente limitado para aqueles que viviam mais próximos da usina nuclear.

A Comissão de Investigação Independente do Acidente Nuclear de Fukushima considerou que o desastre nuclear foi "artificial" e que suas causas diretas eram todos previsíveis. O relatório também descobriu que a usina era incapaz de aguentar o terremoto e o tsunami. Um estudo separado feito por pesquisadores da Universidade de Stanford descobriu que as usinas japonesas operadas pelas maiores empresas de serviços públicos eram particularmente desprotegidas contra possíveis tsunamis.


01.

Chernobil, Ucrânia 1986

Nível 7
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O desastre de Chernobil foi um acidente nuclear catastrófico que ocorreu em 26 de abril de 1986 na central elétrica da Usina Nuclear de Chernobil (então na República Socialista Soviética Ucraniana), que estava sob a jurisdição direta das autoridades centrais da União Soviética. Uma explosão e um incêndio lançaram grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera, que se espalhou por boa parte da URSS e da Europa ocidental.

O desastre é o pior acidente nuclear da história em termos de custo e de mortes resultantes, além de ser um dos dois únicos classificados como um evento de nível 7 (classificação máxima) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (sendo o outro, o item anterior da lista). A batalha para conter a contaminação radioativa e evitar uma catástrofe maior envolveu mais de 500 mil trabalhadores e um custo estimado de 18 bilhões de rublos. Durante o acidente em si, 31 pessoas morreram e os efeitos a longo prazo, como câncer e deformidades ainda estão sendo contabilizados.

Capa  reprodução/materiaincognita